domingo, 24 de janeiro de 2010

Chamado, mas não para ser capacho

Esta situação tem estado em minha mente: uma jovem discípula de Jesus queria desenvolver um espírito de compaixão por todos os seres humanos. Mas, quando foi ao supermercado comprar mantimentos, teve sua compaixão dolorosamente provada por um subgerente repulsivo que queria submetê-la a carícias indesejadas.

Num dia chuvoso e sombrio, ela não pôde mais tolerar e começou a gritar zangadamente com o gerente. Para seu desespero, ela viu Jesus, que estava pegando um pote de "amendocrem" na prateleira e calmamente observava seu comportamento. Envergonhada, ela aproximou-se do Senhor, esperando ser repreendida pela raiva que manifestara.

"O que você deve fazer", Jesus bondosamente a aconselhou, "é encher seu coração com toda a benevolência que puder reunir. Depois bata na cabeça dele com seu guarda-chuva".

Em nenhuma parte das Escrituras Jesus dá a entender que ser compassivo significa ser capacho. Não há nenhum vestígio de coibição quando Jesus vocifera: "Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele" (cf. Jo 8:44). Ouvimos uma completa frustração nas palavras "Até quando terei que suportá-los?" (cf. Mt 17:17), fúria implacável em "Para trás de mim, Satanás!" (cf. Mt16:23) e ira flamejante em "Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!" (cf. Jo 2:16).

A sabedoria para discernir quando é apropriado dar outra face e quando é hora de levantar o guarda-chuva procede somente de escutar as batidas do coração do Grande Rabino.

"Estejam alertas e vigiem."
I Pedro 5:8


Extraído do livro: Meditações para Maltrapilhos, o melhor de Brennan Manning.

Um comentário:

Pri C. Figueira disse...

Sensacional! =D

É verdade, pensamos muitas vezes que ser compassivo é deixar que as pessoas "façam o que querem", subam em cima de nós!!!
Sim Jesus é Deus compassivo, um Deus de amor, mas também um Deus de ira e de justiça!

Amei o texto!!!
Uma ótima semana!
Um grande beijo.